quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Uhuuu!!! CASEI !

   Ir ao mercado e a feira com a minha mãe é um hábito que mantenho para ajudar com os afazeres de casa. Faz parte do sinalizar o que está faltando, organizar o que se vai cozinhar, listar o que precisará, se manter informado com preços e promoções. Ir aos mercados que ficam pertinho de casa às vezes nos confere algumas surpresas não tão boas quanto gostaríamos.
   Outro dia aí, eis que uma senhorinha vê minha mãe e logo a chama pelo nome, abre os braços e parte para aquele abraço de quem faz tempo que não nos encontra. Elas se cumprimentam e após alguns questionamentos sobre como a outra está, a dita cuja da senhorinha vira para mim e pergunta se eu sou o filho de minha mãe.
   Bom, fiquei menos tenso em pensar que ela ao menos não tinha certeza de quem eu era, pois eu não fazia ideia de quem ela era, mais aliviado ainda quando ela comenta que se me encontrasse na rua, nunca saberia quem eu era. Ufa... 
   Pois bem, comemorei cedo demais, logo fui bombardeado por uma série de questionamentos daqueles cheios de preconceito classistas, heteronormativos, heterossexistas:

   - E aí já casou?
   - Está trabalhando?
   - Do que? Fez alguma profissão ou está sofrendo igual os meninos do bairro?
   - Mas não casou ainda? Minha neta é cinco anos mais nova que você e casou mês passado.
   - Vixe, virou professor, vai morrer pobre e sem paciência.
  - Não pensou em estudar algo sério? Lembro que era tão inteligente na escola.
   - E continua morando com a mãe?
   - Tem que arrumar alguém pra sair da casa dos pais.

   Eu não sabia mais onde enfiar a cara. Dela, claro. A minha estava tranquila nos corredores das frutas, verduras e legumes até que aquele questionamento que não diz muito sobre mim ser vomitado no meio dos alimentos que outras pessoas iriam adquirir e consumir mais tarde.
   No final do monte de perguntas que não respondi, ainda tive paciência para responder:
Há uma infinidade de possibilidades ...

   - Algumas pessoas acreditam que escolhem o que fazer da vida, quando só fazem o que a sociedade manda. Eu quis ser professor, não fui sê-lo por ser mulher e acreditarem que esta era a única coisa que me serviria, casei com meus ideais e eles mudam de tempos em tempos, assim eu não enjoo e não preciso levar chifre nem me divorciar. Bjs, estou com pressa, parece que vai cair uma tempestade logo mais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Agradeço muito a sua participação! Abraços!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...