segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Meu nome é Amanda

   "Meu nome é Amanda", o meu não [ao menos até este momento], este é o título da biografia de uma youtuber, que não ousaria em comprá-lo se não tivesse ouvido sobre ela, seu canal e seu livro uns dias antes. Afinal esta onde de youtubers que invadiram a Bienal do livro de São Paulo (2016) ao mesmo tempo que não me trouxe uma gama de títulos bacanas [no momento estou preferindo estes aqui], levou milhares de guris e gurias para o evento [espero que eles estejam lendo, sério].
   Eu realmente não conhecia a Mandy Candy nem seu canal homônimo, porém vi nota sobre um livro super vendido da editora Rocco sobre a história desta mulher. Cruzei com ele pela feira em uma estante, com super destaque, o mais vendido e tudo mais, estava com aquele descontinho caramarada e sai do stand com uma sacola.
   Foi o primeiro livro, adquirido da Bienal, que li e olha, nenhum arrependimento de comprá-lo. Sua narrativa é leve e despretensiosa, ao mesmo tempo que coloca a vida da Amanda e todo o perrengue para se tornar o que é hoje, nos traz alguns conceitos pós-identitários que tenho estudado sobre a teoria queer. [vou precisar ler de novo, pois há algumas passagens sobre a escola e conceitos de identidade e gênero e não os grifei].
   Desde a tenra infância, sua vida no interior do Rio Grande do Sul, acredito eu que é uma das cidades da Grande Porto Alegre, porém pacata e minúscula. A relação de seus familiares, suas manias, vontades, jeitos e trejeitos, convicções, descobertas, como todos nós passamos. Porém com este detalhe que é ser trans e não cis.
   Sim, deveria ser um pequeno detalhe, mas torna-se grandioso quando o mundo inteiro parece estar contra você. Ser gay já é difícil, ser trans parece estar um pouquinho além da aceitação dos conservadores e dos mexeriqueiros. Uma questão que me transbordou durante a leitura foi: Qual o limite da minha felicidade?
   Então encontramos no livro, desde identificações com o mundo feminino, a negação do contato social, a criação de um mundo paralelo, a aceitação de si mesmo como um diferente neste mundão tão diverso que tenta se por em caixinhas tão passadas e antiquadas, o bullying, as chacotas dentro da própria família, o apoio de quem realmente nos ama, o primeiro emprego, as primeiras paixões, ou seja a busca pela concretização dos nossos sonhos.
   RECOMENDADÍSSIMO!

sábado, 22 de outubro de 2016

"Esconder minha sexualidade quando criança me tortura até hoje": uma dissonância possível.

   Li o texto referente ao título deste post a pouco tempo, e fiquei pensando como as trajetórias LGBTQs são diversas entre si. Para quem quiser ler o tocante texto de uma criança que escondia sua sexualidade dos outros vai o link AQUI.
   
   Diferente do Gael, não tinha orgulho da minha letra, que continua parecendo a de um aluno do 5º ano, mas diria que ao menos confiante desde o final do Ensino Médio. Ela sempre foi redondinha, mas antes poucos a entendiam.
   Cuidados com material eu tinha, pois sabia que meus pais ralavam e muito para me manter em uma escola que eles consideram de "qualidade", todavia durante o ano letivo os cadernos perdiam suas capas e os livros soltavam páginas.
   Também não tinha a menor paciência para usar cores diferentes de canetas para as anotações, eu também costumava perder estes materiais menores e sem as etiquetas com meu nome, então os evitava ter para não rolar aquele sentimento de culpa sobre o desleixo.
   Até a quarta série, tudo ocorria sem a menor suspeita, pelos menos para mim, nem sabia que as pessoas faziam sexo, muito menos que vivíamos em um mundo machista, sexista, classista e racista. Mesmo morando em um bairro periférico da grandiosa São Paulo.
   Sempre brinquei com minhas duas melhores amigas até a época, filhas de amigos do meu pai e da minha mãe e que moravam na vizinhança. Qualquer brincadeira era interessante na época: bola, boneca, vídeo-game, taco, baralho, dominó, pega-pega, esconde-esconde, lego (meu preferido), etc.
Euzis na festa junina 
com a minha parça.
   Até que boatos de meninos sobre masturbação, mulheres peladas, revistas e programas de TV na madrugada, paus duros... começaram a rondar a sala de aula, ou melhor, o pátio, pois estudar em uma escola católica não nos dava muita liberdade.
   Foi a primeira vez que me senti deslocado. Sinceramente achei que eu era assexuado. Sério! Pensei que talvez eu fosse igual a alguns exemplos: o meu vizinho Zé, minha tia avó, entre outros, [pois eu não os via com outras pessoas] Acreditei por um breve período de tempo (até a polução noturna ter me pego de surpresa) que eu não sentia atração por ninguém e teria que viver sozinho.
   

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Olha lá o viado!

Senta lá, Cláudia, bem longe de mim.
   Primeiro vou ter que pedir desculpa pelo desabafo (não é a primeira vez que faço isto) e por escrever um post mais longo do que estou acostumado. No final a reflexão vai valer a pena, senta aí.

   - Querido nem se você quiser me dar o cú eu estou disposto a comê-lo. Meus pais me ensinaram a não comer qualquer porcaria, sim já tive a experiência e não foi nada agradável e ao menos não eram babacas como você que acreditam que pelo modo que seguro minhas bolsas eu 'virei' VIADO.
   2 - Também cansei de ouvir piadinhas e conhecimento raso e nonsense nos meus horários de almoço. Incrível como isto só acontece quando não estão presentes nenhum superior a mesa.
   3 - E para você que tem medo que eu transforme os alunos em viados fica a dica abaixo. Não fiz 10 anos de ensino superior e me mato em eventos acadêmicos para ficar discutindo com quem não sabe nem a diferença entre sexo e gênero.
   


   RECADO FINAL PARA A GALERA TODA: 

   Obrigado.
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