quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Beijos

 Dois casais, héteros, de adolescentes, acariciam-se no sofá de leitura entre as estantes do clube, onde achei que tinha encontrado meu paraíso silencioso. Entre tapas e beijos, literalmente falando, já que eles vivem se batendo, provocando enquanto voltam-se seus corpos para acarinhar seus parceiros. Esta cena, me lembrou os meus tempos de adolescente, fui um dos últimos, se não o último dos meus amigos a beijar.
 Não que a pressão para que isto acontecesse fosse pequena, todos falavam pra eu beijar fulana ou ciclana somente para que parassem de me chamar de BV. E eu não tinha a menor chance de me explicar e afirmar que não queria nenhuma delas, meudesejo se encontrava em um ou outro menino e sabia que confessar isto seria pior do que ser tachado de BV.
Um beijinho ...
 Mais uma vez, o questionamento sobre a sexualidade, como tabu, me veio a tona. Por que beijar escondido? Qual a necessidade de esconder seus próprios desejos? Esta não seria uma seara particular?
 De certa forma esta urgência em colocar por baixo dos panos estas relações acompanham nossas vidas adultas. Não defendo a abertura das nossas vidas de forma pública, mas me pergunto sobre a dificuldade de dialogar sobre o que se quer viver com as pessoas mais próximas, como amigos e família.
 Por que precisamos esconder dos nossos pais que estamos com alguém? Por que não podemos demonstrar que nossa vida sexual é ativa e que há momentos com diversos parceiros? Ainda temos vergonha, medo de aceitação em não demonstrar socialmente um comportamento vitoriano?

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Por que a sexualidade é um tabu tão grande?

 Confesso que quando criança nunca reagi tão bem ao assunto sexo. Primeiro pensei que por fugir da heteronormatividade imposta, mas analisando alguns amigos, logo fugi desta ideia pois vários cis-héteros também não lidavam muito bem com este tópico. Até que se cresce e qualquer roda de conversa entre amigos tem a sexualidade como tema, em suas mais variadas concepções, de práticas, atos, desejos, identidades, curiosidades, etc.
 Acredito que a onda de músicas populares tipicamente brasileira sobre este tema esbarram na concepção de que não se discute sobre isto, mas há muita curiosidade sobre, se quer falar sobre, aprender, trocar informações e poder por tudo em prática utilizando-se deste conhecimento renovado.
Talvez algumas das minhas fontes de informação.
 Não só o fato desta curiosidade que e sempre podada por diversos motivos, ainda vivemos em uma sociedade que nos define primeiramente com base em nossa sexualidade. Somos homens ou mulheres, solteiros ou casados, héteros ou gays. Não há escapatória nossa vida circula este assunto mesmo que pouco se discuta sobre.
 Imagina uma criança falando: "Olha lá ela chupando o pinto dele!!!" (trecho extraído do livro: Nú de botas) ou ainda questionando a família inteira se fulana chupa o pinto do fulano e por aí vai. Talvez comece aí a intolerância sobre a existência dos gays, como explicar para uma criança que vive em um mundo heteronormativo que dois homens se amam, dorme na mesma cama, etc.?
 Quero dizer que estas informações são pouco acessíveis, quando buscamos algo o mais fácil de conseguir nem sempre é da melhor qualidade, muitas vezes sente-se vergonha de querer se informar sobre, conhecer assuntos sexuais fica restrito ao senso comum, a pornografia barata, feita por quem não teve a preocupação de causar uma reflexão sobre as normas de poder.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

#livro - Alice

Aslam não ligando para o gênero.
 Você acorda e parece que tudo foi real. As imagens, as sensações, os personagens, os ambientes, as aventuras, mas nada está lá neste momento. E por mais que as tentativas sejam grandes tudo vai de esvaindo da memória até desaparecer completamente e sobrar poucos resquícios do que chamamos sonhos.
 Esta seria a minha melhor definição das duas histórias de Alice (Aventuras no país das maravilhas e Através do espelho e o que encontrou por lá) do Lewis Carroll, (preciso frisar este nome já que sempre o confundo com o Clive Staples Lewis das famosas Crônicas de Nárnia em seus sete volumes, origem do nome do meu cachorro Aslam.
 Adquiri este volume de capa dura com as duas histórias há um tempão, quando o primeiro filme (2010) dirigido por Tim Burton foi lançado, mas nunca o tinha lido, este ano (2016) após assistir o segundo filme, resolvi dar uma chance para este pequeno e denso livro com as conhecidas ilustrações do John Tenniel.
 Me encanta o fato da história ser contada por uma menina, com muitas qualidades positivas, além do questionamento sobre os papeis de gênero definidos pela norma heteronormativa, que é mais presente nos filmes, também encontra-se no livro porém com menos impacto e relevância. Porém só existem no mundo real as figuras de Alice e sua irmã. O bem e o mal, tanto aproveitados nos filmes perdem a cena no livro, e não há esta disputa pelo certo e errado, pelo poder.
 Apesar destas discrepâncias, o livro traz os personagens do nosso imaginário: o Coelho, a Lagarta, as Rainhas Vermelha e Branca, o Chapeleiro, a Lebre de Março, Twwedledum e Tweedledee, Humpty Dumpty, Capturandam, o Gato de Cheeshire, entre outros.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Relação de um gay com seu pai

 Mais um dia dos pais se vai, comidas, bebidas, tempo para se passar junto com meu progenitor e criador, afinal ele me pôs no mundo, me criou e continua cuidando até os dias de hoje. Não temos uma relação afetiva muito madura, tão pouco profunda e abrangente, mas digamos que nos entendemos.
 Ser pai em uma sociedade machista não deve ser nada fácil, para quem quer assumir seus papeis sociais de cuidador ao lado de sua companheira. Acredito que tudo fica mais difícil quando seu filho se sai do armário pra família e para o mundo inteiro. (fiz isto aos 16 anos - quem sabe outro dia conto com mais detalhes sobre este episódio)
 No começo foi difícil, na verdade durou cerca de sete dias, aos quais a minha rotina mudou drasticamente a noite, pois não conseguia encarar meus pais na mesa de jantar e me trancava no quarto. Nenhum deles aceitou bem a situação e só me chamavam pra dizer que tudo ia ser curado seja lá qual fosse o problema.
 Cogitou-se médicos, igreja, internato e até uma surra para ver se eu parava de chamar atenção. No final, notou-se que não estava contando nenhuma história diferente da realidade e sabe-se lá o porquê, meus pais decidiram por um ponto final na história e aceitar-me.
 Poucos meses depois eu comecei a namorar um rapaz e tive a brilhante ideia de levá-lo em casa. Ficamos o dia inteiro na sala assistindo televisão e aproveitando os momentos em que ficávamos sozinhos para dar uns beijos e trocar carinhos. Fato permitido pela 'aceitação' dos meus pais do meu desejo.
 Desde este namorado, quem se preocupa mais com o que está acontecendo, quem faz questão de recepcionar o meu pretendente, perguntar se está tudo bem, é o meu pai, que tanto se perdeu ao perceber que seu filho não traria as meninas bonitas pra casa pra ficar com elas, só falar de outros meninos, assistir tv e dormir de bunda.
 Como é a relação com seu pai? Fiquei curioso agora em saber como outros pais reagem a este tema. De bônus vou compartilhar um vídeo do Põe na roda com entrevistas a pais.

sábado, 13 de agosto de 2016

Repinteio ou Rebuceteio gay

 O cara aparece, sabe da sua vida com alguns detalhes, sabe seu telefone, vasculhou seus registros virtuais o bastante pra saber sobre suas últimas viagens, produtos culturais consumidos e como não quer nada cita o fim de sua relação como se isto fosse algo fácil de se conversar e precisasse ser tratado naquele momento.
 O interesse em saber o que a pessoa quer fica grande, o sujeito até oferece uma conversa em um lugar público, aponta necessidades de desfechos em sua própria história, comenta ex-amigos, e principalmente toda a história com o ex. O que fazer? Ignorar, ou ir a conversa?
 Descobre-se que o cara já havia te visto anteriormente em um bar, roubou teu contato do celular do namorado, guardou até chegar o fim do relacionamento e em um momento de fúria te mandou as mensagens, te ligou e tentou te convencer a ir a uma mesa de bar. Mas para que todo este trabalho? 
 Rostinhos bonitos estão em todos os lugares, corpos interessantes também. Gostos, interesses, comportamentos e rotinas compatíveis estão por todos os lugares. Por que um ex de ex nosso então se aproximaria de nós? O que o motivaria a se empenhar desta maneira?
 Não tenho nenhuma resposta certa, só devaneios. Pode ser por simples atração, 'vingança', poder? Como pode não ter sido nada disto. Enquanto outras dúvidas surgem? Será que vale realmente a pena dar trela pra este cara misterioso que teve tamanha coragem de se aproximar? 
 Acredito que só vivendo pra saber, ao mesmo tempo que como nunca tinha presenciado em círculo afetivos esta situação, comecei a pensar sobre este fenômeno de se pegar um ex do seu ex de forma compulsória (já que é possível que isto aconteça na balada, se os círculos de amizade são próximos, etc), como se denomina?
Peguei esta foto emprestada.
 O termo mais próximo que cheguei foi ao rebuceteio (termo da comunidade lésbica que define ter um relacionamento com uma ex parceira de sua própria ex e por aí vai) e já que me empolguei em criar palavras novas ocasionado pelo post ( 

 E você já passou por situação semelhante? Sabe se alguem a chama de outra forma?

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

20 dias depois

 Estou ensaiando reescrever algo para o blog desde que voltei da chapada, no meio das minhas férias em julho. Pensei, pensei, e mais um pouco sobre qual tema estava me incomodando neste momento, mas devido às férias, aos momentos bons que estou vivendo, acredito que fiquei sem assunto para postar aqui.
Chapada dos veadeiros: lugar lindo que com certeza suscita muita paz.

 Acredito que na vida como um todo, entrei em um estado de paz que não vivia a tempo, talvez até por isto tenho me afastado não só de escrever novos posts, mas também de acompanhar os blogs que comecei a apreciar nestes últimos meses.
Eu me promovendo mais uma vez.
 Aí lembrei que tinha feito uma promessa de não levar meu blog a falência tão cedo e sem os novos conteúdos ficaria difícil. Ainda não consegui convencer ninguém a escrever alguma coisa para compartilhar aqui, acredito que meus amigos são tão boas pessoas em suas medidas que isto seria ótimo.
 Vou me esforçar um pouco e voltar a comparecer neste mundinho virtual tão particular.
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