sexta-feira, 15 de julho de 2016

#livro - Diferentes, não desiguais

   Este livro foi uma surpresa. Logo após algumas visitas a editora Companhia das Letras em busca de livros LGBTQIA para crianças de todas as idades, chegou o recém lançamento do "Diferentes, não desiguais: a questão de gênero na escola" de Beatriz Accioly Lins, Bernardo Fonseca Machado e Michele Escoura com o selo editorial Revira Volta. Na minha busca por materiais sobre escola e gênero, este caiu no meu colo no momento certo.
   O livro tem uma linguagem clara e objetiva. Traz alguns temas como gênero, feminismo, direitos, violência, escola, sexualidade, família, interseccionalidade, direitos, política, entre outros. Além dos textos principais, apresenta dicas para educadores em diversas instâncias, sugestões de materiais audiovisuais e textos e uma lista bem extensa de referências.
   A presença de caixas de textos para ressaltar alguns trechos, significados, sentidos, onde buscar mais informações além das imagens como a de mulheres importantes da luta feminista como a "Sojourner Truth", gráficos, tabelas, causos, glossário, etc. deixam o livro mais 'gostoso' de ler.
    Com informações de como a escola se tornou em um espaço feminino de trabalho e pela violência de gênero consequentemente desvalorizado, uma análise sobre a educação machista pautado na divisão de gênero presente na escola há muitas décadas, busca-se uma compreensão da presença de uma ação educativa que privilegie a diversidade, o reconhecimento ao diferente e ao respeito.
   Para quem não é da área da educação, mas sente uma necessidade de se falar sobre gênero nas diversas relações que todo ser humano estabelece, o livro também é um bom guia. Para quem é professor deve ser lido e relido diversas vezes para se identificar onde e como trabalhar com gênero neste momento político tão delicado que estamos passando.


segunda-feira, 11 de julho de 2016

TAG 50%

No parque e no sol, ah como gosto.
   Copiei este post do blog Três Egos (clique aqui para ver o que ele postou). Denominado de TAG dos 50%, define em alguns tópicos o que aconteceu até o presente momento no primeiro semestre de 2016. Vou tentar fazer, mas já me adianto que não sou bom para definir o que é melhor...

1. O melhor livro que você leu até agora em 2016.
   Fico na dúvida entre dois que me lembro: "Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo" e "Gigantes". O primeiro retrata a vida de um adolescente tímido que vive entre muitos segredos familiares, como a ausência do irmão, a depressão pós guerra do pai, etc. O segundo título nos trás a vida de cinco jovens pós formatura do colégio, cinco histórias que se cruzam e mostram o amadurecimento de diversas maneiras.

2. A melhor continuação que você leu até agora em 2016.
  Não li nenhuma continuação. Acredito que "Divinas desventuras" é um desmembramento do trabalho "Divinas aventuras", mas eu li ao contrário e não são necessariamente uma continuação um do outro. Aviso para os marmanjos: obra infantil.

3. Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito.
   Também tenho que apontar aqui que não sou bom em acompanhar o mercado editorial. "Tá todo mundo mal" da Jout Jout é uma obra que adquiri mas ainda não me joguei no sofá, nem na grama, nem em lugar algum para me dedicar a leitura. Também tem o Segundo Sexo da Simone de Beauvoir que foi relançado pela editora com um box lindo em dois volumes (estou pensando se estava aguardando outro lançamento, mas acredito que não)

4. O livro mais aguardado do segundo semestre.
   "E se eu fosse puta" da Amara Moita. que segundo a livraria cultura é uma biografia de uma ativista trans e sua experiência na prostituição. Acompanhei algumas aparições públicas da Amaira e seu ponto de vista sobre algumas questões são diferentes do que costumamos pensar, será muito mais que interessante lê-lo.

5. O livro que mais te decepcionou esse ano.
   "Diário de um ausente" do João Anzanelo Carrascoza. Indicação de uma amiga que adora este livro, o peguei emprestado dela aliás. Suas palestras com as crianças em anos anteriores são fenomenais, porém não consegui terminar de ler, pois não gostei e ponto final.

6. O livro que mais te surpreendeu esse ano.
   "Nú de botas" do Márcio Prata. Uma série de crônicas cronologicamente trazem a infância do autor que eu não conhecia até então. Leve, engraçado, reflexivo, retrato da sociedade de classe média, branca, dos anos 80, vale muito a pena mesmo.

7. Novo autor favorito (que lançou seu primeiro livro nesse semestre ou que você conheceu recentemente).
   Bom o livro foi escrito a seis mãos, "Diferentes mas não desiguais: a questão de gênero na escola", entre elas as da Beatriz Accioly Lins e Michele Escoura. Meu voto por decisões não só literárias vai para o Bernardo Fonseca Machado (pessoa), cara gato, politizado, tem interesses parecidos com os meus, OMG.

8. A sua quedinha por personagem fictício mais recente.
   shaushuashuahsuahs, rindo de mim mesmo. Nunca tive quedas por personagens. Ah não mesmo, meu negócio é com pessoas mesmo.

9. Seu personagem favorito mais recente.
   O mateus do Jimmy Zero parte do Boy's Love em quadrinhos. Me identifiquei um pouco com ele, o cara sussegado,  que não fica com ninguém, universitário, tímido, sonhador... Ou o David de "O menino de vestido" que pouco está se importando para as normas de gênero impostas pela sociedade, rs.

10. Um livro que te fez chorar nesse primeiro semestre.
   Já chorei lendo algum livro? Não me lembro. Costumo chorar em filmes quando toca aquelas músicas melosas, mas em livros não.

11. Um livro que te deixou feliz nesse primeiro semestre.
   Acho que todos os livros LGBTQIA que eu li me deixaram feliz de algumas forma, pelo fato de existirem títulos com esta temática e por serem histórias e superação, reflexão, etc. A arte de ser normal, One man guy e Minha metade silenciosa, abordam diferentes contextos dentro da diversidade sexual LGBTQIA, por exemplo.

12. Melhor adaptação cinematográfica de um livro que você assistiu até agora em 2016.
   Alice através do espelho. Nunca li o livro, mas adoro os filmes do Tim Burton, principalmente as adaptações do Lewis Carrol. Comecei ontem uma edição da Alice que conta as duas histórias: aventuras no país das maravilhas e através do espelho e o que ela encontrou por lá. Até agora amando muito, mas achando tudo muito diferente do filme. Com certeza obras para serem apreciadas separadamente.

13. Sua resenha favorita desse primeiro semestre (escrita ou em vídeo).
   "O paraíso são os outros" do Valter Hugo Mãe (outro cara gato, diga-se de passagem) foi o livro que mais me trouxe reflexões-críticas ao escrever minha avaliação sobre um título este ano. Por vezes confundia se estava mencionando sobre o livro ou sobre a minha história.

14. O livro mais bonito que você comprou ou ganhou esse ano.
   O segundo sexo de Simone de Beauvior. Na sua nova edição dois livros de capa dura (rosa e azul) em um box. Maravilhosamente lindo. (curiosamente eu não ganhei nenhum livro este ano)

15. Quais livros você precisa ou quer muito ler até o final do ano?
   Manifesto Contrassexual da Beatriz Preciado.

   Para fechar com semelhança ao post que copiei: li aproximadamente uns 35 livros este ano sendo que uns 10 deles são títulos infanto-juvenis voltado para o meu trabalho. Eu mesmo estou impressionado com este meu número. Pensei até em fazer um caderninho para anotar com mais rigorosidade os títulos que leio.

   E você está lendo alguma coisa? Quais suas leituras ao longo deste ano?

quinta-feira, 7 de julho de 2016

#livro - Boy's Love

   "Boy's Love em quadrinhos" é um livro yaoi, ou seja histórias de origem japonesa sobre rapazes gays. Diria mais, não se trata apenas de relatar diferentes formas de desejo, é também uma transgressão as normas de gênero, pois vários personagens tem características femininas ou que misturam o masculino e o feminino.
   É o meu quarto livro desta editora (Draco) nesta temática (Confira os outros títulos que eu li esta ano aqui) os outros eram de contos. Meus parabéns a editora que apostou em um tema pouco comum aqui e produzido em língua portuguesa e que ainda proporcionou um material de qualidade, com projeto gráfico bem interessante.
   Bom, este exemplar em quadrinho contem seis histórias independentes, sobre relacionamentos homoafetivos em alguma instância possível, são então 12 autores que trabalharam para fazer os roteiros e a arte gráfica.
O que tem de muito diferente das 'histórias ocidentais' é o misticismo, o mistério, o suspense e a sensibilidade com qual a história é tratada.
   Uma breve descrição de cada história:
  1. O mar - o envolvimento entre uma entidade espiritual e um ser humano é colocado com uma naturalidade ímpar. Ainda há uma quebra enorme de paradigma entre sexo, gênero e capacidades reprodutivas;
  2. Jimmy Zero form outer space - com certeza a mais engraçada de todas. Um grupo de jovens universitários em uma festa encontram um alienígena estudante de antropologia humana. Claro que há um envolvimento e um ghosting ocasionado pela necessidade da volta do ser extraterreno;
  3. Sincronicidade - um adolescente que não gosta de sair de casa é apoiado por um ser misterioso que entra em seu quarto. Apesar das formas femininas deste novo amigo, trata-se de uma figura masculina.
  4. Quemado, NM - Única história com personagem negro. Remonta um amor impossível, entre este jovem negro e outro branco, as histórias de fuga e a perseguição sofrida. O final bem surpreendente;
  5. Anéis de saturno - fofa história sobre dois caras que estão ficando e se veem embarcados pelo amor. Inseguranças e o começo de um relacionamento são termas marcantes;
  6. Barganha - Outra história com personagens míticos: um elfo e um limnátide (achei que era o espírito do lago, mas depois descobri que era uma maldição). Na necessidade de trocar favores, o elfo precisa curar sua irmã doente e o limnátide quebrar sua maldição, eles se enroscam num romance.
   Ao final do livro encontra-se uma pequena biografia dos autores. Com certeza é um livro para se ler em uma pequena viagem de metro, são apenas 125 páginas e como são muito bem ilustradas, vão muito rápido.



segunda-feira, 4 de julho de 2016

Flip-se (feminismo, LGBT e negros ainda ausentes...)

Meu role em Paraty
   
FLiP-se
   Após alguns anos de ansiedade e vontade compareci ao Festival Literário de Paraty, na minha primeira férias como profissional professor. Para completar, as companhias eram das melhores, duas professoras e um professor dos bons e a hospedagem foi em uma comunidade hippie em uma casa na beira do rio, tudo uma maravilha de poético.
    Chegamos na sexta por volta do meio dia e ficamos até a tarde do sábado. Uma coisa que aprendemos desta história toda é que poderíamos ter ficado até segunda para aproveitar todos os momentos possíveis. Também assistimos a só uma mesa composta pela Heloisa Buarque de Holanda e o  Benjamin Moser sobre a homenageada Ana C. pela falta de tempo e pela vontade de andar toda as casinhas da cidade que se voltavam a literatura.
   
Aquisições feministas: #meuamigosecreto do
coletivo 'não me Kahlo', Simone de Beauvior,
 Charlotte Perkins Gilman, Virginia Woolf,
Sexografias de Gabriela Wiener e LGBT:
Terezinha do Josué Sousa.
Logo de início já adquiri um exemplar de "Terezinha e outros contos de literatura queer" do Josué Sousa da hoo editora na 
Casa PublishNews Coworking. Depois fomos conferir um pouco sobre a Flipinha, como estava organizada e quais atividades estavam sendo oferecidas, mas como estava muito cheio só observamos.
   Chegamos às Tendas oficiais da Flip, localizadas às margens do Rio e sentimos a grandiosidade do evento que lotava a cidade. Lá se encontravam as tendas dos autores e da livraria oficial. Confesso que gastei um tempão entre os livros, tirei fotos de muitos títulos para minha lista de desejos, mas não resisti a algumas indicações e obras que já esperava adquirir.
    Além das tenda há, várias casas, verdadeiros espaços fervilhantes de cultura com rodas de conversas. Os que visitei foram da Casa PublishNews Coworking, Casa Folha, Cada do IMS, Editora Rocco, Centro Cultural Sesc e a Livraria Paraty.

Ana C.

Materiais sobre a FLiP 2016 - Ana C. ao centro.
     Quem foi Ana Cristina Cruz César a homenageada pela Flip em 2016? Eu só sabia que a Companhia das Letras estava divulgando amplamente suas obras, mas não tinha ideia da grandiosidade de sua obra como poeta marginal na década de 70. Morreu jovem, aos 31 anos, e deixou um pequeno mas profundo legado de escritos.
   Felizmente a presença de uma mulher feminista no front do Festival possibilitou a presença de alguns títulos escrito por mulheres e outros tantos feministas na feira, alvos da minha aquisição após seleção das minhas companheiras.

Diversidade
   
   É notável a presença maciça de brancos de classe média-alta e europeus na programação oficial. Mesmo com a presença maior de mulheres neste ano senti falta de uma literatura e um debate menos elitistas. Ainda encontrei alguns títulos bacanas na livraria como Beatriz Preciado, Capitolina, David Levithan, etc.
   As perguntas que ficam são: onde estão os negros, as gays, os periféricos? Continuamos a pensar que estes não produzem literatura?
   Não estava presente neste sarau e tão pouco sabia da sua existência assim como da presença desta mana que pontuou sobre a ausência dos pretos e periféricos no Festival.




sábado, 2 de julho de 2016

#LIVRO - Minha metade silenciosa

   Este é mais um título adicionado a minha busca por títulos LGBTQIA em língua portuguesa aqui no Brasil. Já acredito que por um questão bem comercial mesmo, estes produtos têm crescido nos últimos anos, afinal há quem os compre.
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