sábado, 30 de abril de 2016

#livros - One man guy

   Em parte me fez lembrar de Aristóteles e Dante pelo fato de minorias caladas que convivem nos EUA. Também relata como muitos de nós vamos na contramão da norma que a todo dia nos é imposta e o quanto isto é difícil para todos.
   Ser um adolescente de 14 anos prestes a entrar no ensino médio já não é fácil, ainda mais quando se é descendente de armênio e seus pais cobram que os estudos sejam a parte fundamental de sua vida, seu irmão mais velho é excelente em tudo o que faz, não se tem muitos amigos e descobre-se um dia antes de entrar de férias que sua viagem terá que esperar mais um ano, pois seus pais já o inscreveram no curso de reforço de verão.
   Estas cobranças são algumas das poucas que se passará na vida de Alek, no verão mencionado. A sociedade pede para que ele não seja tímido, arrume o cabelo, use roupas mais contemporâneas. Sua família quer exito no curso de verão para que possa cursar turmas especiais no ano seguinte, quer ainda que se comporte como um verdadeiro armênio. Sua melhor amiga, cobra atenção e tempo. E o que ele quer?
   Há muitas partidas em questão. Ainda mais quando se descobre que o cara gato que sempre te chamou atenção é gay e está te convidando para uma vida nova e proibida até então: cabular aula, ir para o lado proibido da cidade, pegar o trem e ir até Nova York. O dilema entre fazer o que aprendeu que era certo e a vontade de experimentar coisas novas está latente.
   Este romance teria tudo para ser mais um mamão com açúcar e bem clichê. Mas nos surpreende positivamente. As relações entre Alek, seu irmão, pais, amiga, colegas da escola, professores, nos encaminham para um lugar comum enquanto o autor nos transporta para outro. Faz parecer que há uma saída no fim do mundo para muitas questões impensáveis dentro da norma.
   A seguir a música de Rufus Wainwright "One man guy" que dá título ao livro. Vale a pensa conferir esta e outras canções deste artista.



quarta-feira, 27 de abril de 2016

GAY#1 - 'LGBTQ' - você se sente representado?

 A diversidade se mostra complexa sobre a questão da representatividade, pois o espectro das minorias parte para a uma divisão da grande maioria calada em grupos menores que galgam direitos diversos. As questões de gênero por exemplo se mostram em dois grande movimentos: feministas e LGBTQ. E dentro de cada movimento temos as sub-divisões ou intersecções que vão se pulverizando enquanto movimento político como por exemplo o feminismo negro, as travestis, os gays da periferia, etc.
 Hoje em dia temos diversas nomenclaturas que designam o movimento de identidade de gênero que destoa ao binarismo hetenormativo: LGBT, LGBTQ, GLS, GLBS, LGBTTT, LGBTS, LGBTTIS. Elas tentam de alguma forma englobar várias categorias de sexualidade como lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, trangêneros, assexuais, pansexuais, intergêneros, queer e até o público que não destoa mas apoia o movimento de direitos como os simpatizantes. 
 Cada sigla é retrato do momento histórico dos movimentos dentro de um local específico, como também do anseio de reunir o maior número de 'minorias' em um mesmo movimento. Assim como as designações também são fruto sócio-histórico da diferenciação discursiva dos sujeitos que destoam da norma como 'aqueles homens que desejam outros homens', 'aquelas mulheres que desejam outras mulheres', 'os sujeitos que não se identificam com o gênero que seu próprio corpo deveria ter ao longo da vida a partir da designação sexual que lhe deram ao nascer'.
 Você se sente representado por algum destes movimentos? Existem instituições, associações, organizações, etc. que lutam pelo reconhecimento de direitos da diversidade a qual vocês se identifica? Você sabe quais estratégias políticas estas instituições estão galgando no momento? Estas são minhas inquietações no momento que estou definindo minha meu projeto de monografia em educação e estou gradativamente me aproximando de um mundo ao qual fui, mas não decidi muito sobre como me designaram.
 Este, assim espero, vai ser o primeiro post de uma série que pretendo escrever ao longo desta minha busca por várias respostas e que com certeza florescerão outras inúmeras questões e que vou denominar aqui de "#GAY". No que tange a curiosidade sobre as pessoas que trafegam por este blog pensei na seguinte pesquisa que vou pedir encarecidamente que vocês leitor participe:



quinta-feira, 21 de abril de 2016

#livros - Aristoteles e Dante descobrem os segredos do universo

 Encontrei este livro em uma busca por livros que abordam as sobre questões de identidade gênero e afins para a minha pesquisa de conclusão de curso. O bom que o livro trata sobre um adolescente gay e o dia-a-dia na escola de seu amigo. Justamente a ponte que estou tentando reforçar.

 SÁENS, Benjamin Alire. Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo. São Paulo: Seguinte, 2014. Vale ressaltar que a Seguinte é um dos selos da Companhia da Letras voltado ao público jovem.

 A história se passa em El Paso, uma cidade da fronteira entre México e Estados Unidos, na qual um adolescente de origem mexicana começou seu verão do modo mais dramático possível, "achava que ter quinze anos era a pior tragédia de todas". Vivia sem amigos e sua maior companhia era sua mãe, que lhe rendia algum diálogo e que por muitos momentos o fazia pensar que "o problema da sua vida era que ela tinha disso ideia de outra pessoa".
 Em seu primeiro dia de férias conhece Dante, outro adolescente com nome tão peculiar quando o seu Aristóteles, com o qual aprende a nadar e a ver o mundo minimamente de forma diferente. Dante gostava de ler, tinha um pai carinhoso e sensível que lecionava nos curso de letras da faculdade local e uma mãe que ao contrário da sua era mais introspectiva. Ao longo do enredo Dante se assume gay para seu novo amigo e isto causa certo desconforto.
 Além de lidar com a distância de Dante, Aristóteles ainda enfrenta outras questões existenciais típicas de um adolescente, é filho de um ex-combatente da guerra do Vietnã que não conversa com os outros integrantes da casa, é no mínimo dez anos mais novo que seu irmão preso, cujo assunto é proibido em família e que há 11 anos não tem notícias.
 Acidentes de carro, com bebidas, drogas, noites no deserto, gangues adolescentes, amores não correspondidos, gravidez na adolescência, primeiro emprego e primeiro carro, aprender a dirigir, poesia, literatura, cuidados com o seu cachorro, a morte de um parente ao mesmo tempo geograficamente distante e culturalmente próximo são muitos dos assuntos poeticamente construídos nesta obra.

 No começo acreditei ser um romance mamão com açúcar e previsível. Mas me encante muito com muitas frases bem construídas e os diversos personagens com os quais há uma identificação humanamente possível.




domingo, 17 de abril de 2016

No escurinho

 Aquele escurinho, sala grande, poltrona fofinha e grande, cheiro de pipoca no ar. A captura de toda a atenção do corpo como um todo, são os olhos que brilham, a coluna que relaxa de vez ou fica reta, os braços se apoiam nos encostos ou nas próprias pernas, tronco e pescoço se viram à telona que se ilumina e com certeza a sensação de prazer me acompanha por estar no cinema.
 Neste mês está acontecendo o 42º Festival Sesc Melhores Filmes já havia comparecido no primeiro dia da mostra e hoje resolvi dois filmes que havia escolhido. Há muitos títulos bons entre nacionais e estrangeiros. Prefiro os primeiro e os latinos, principalmente por não ter muitas oportunidades de vê-los em telonas. 
 Mas infelizmente a maioria das pessoas não deve pensar o mesmo pois em ambos os dias que compareci ao Cine-Sesc, a sala estava praticamente vazia. Os filmes não são lançamentos, mas são bons e o preço de R$12,00 para inteira e R$3,50 para quem tem a credencial plena me convenceriam fácil. Além de poder assistir o filme de um bar que se encontra no interior da sala (nunca o fiz, sempre achei que o barista, etc, iriam ficar pensando como sou estranho de ir no cinema sozinho e ficar sentado na mesa de um bar, mas não me falta vontade).
 Os filmes que assisti são:
  •  Yorimatã (BR) - a trajetória profissional de duas cantoras que resolveram ter uma vida um tanto quanto fora da norma monogâmica, urbana e consumista. Um retrato sobre a liberdade e as raízes da cultura brasileira de maneira sensível. O foco na vida das mulheres é sensacional, já que há um homem casado com ambas. Os momentos de cantoria são belos e envolventes. 
  •  Numa escola de Havana (CB) - a vida de uma professora que por durante décadas fez de tudo pelo sucesso de seus alunos em meio ao regime contemporâneo de Cuba. Duas crianças são alvos de análise no filmes: um menino sem pai e de mãe drogada que 'trabalha' ao seu modo para sustentar a casa e uma menina que vive somente com o pai irregularmente em Havanna. Me peguei pensando por que nenhum dos principais personagens são negros e em algumas cenas até distoam. Me fez chorar muito no discurso da professora e da relação que ela estabelece com os alunos.
  •  Casa Grande (BR) - uma família de classe alta, residente da zona oeste do Rio de Janeiro, passa por momentos econômicos difíceis. No entanto os responsáveis resolvem esconder isto dos seus filhos de 17 e 13 anos. Em alguns momentos há sem pudor algum a expressão da lógica racista e classista presente na sociedade brasileira contemporânea.
Espero poder assistir alguns filmes ainda como 'Branco sai, Preto Fica', 'Que horas ela volta?', 'O clã', 'Ausência' e novamente 'California' e comparecer a Conversa com a Marina Person.

Os catálogos dos filmes da mostra. Muita coisa boa, serve mais que guia da programação.





sábado, 16 de abril de 2016

#livro - Nú

 Comecei a ler escritos memorialísticos ano passado com mais gosto que anteriormente pois participei de uma formação do Museu da Pessoa, que resultou no mini-conto que por acaso já até postei aqui no blog: "Será que eu cresci?".
 O livro do Antonio Prata, "Nú de botas", retrata em passagens repletas de bom humor, alguns momentos especiais de sua infância. Um retrato da sociedade brasileira de classe média de meados de 70-80. Sem muitas explicações para os acontecimentos que são vistos sob o olhar do menino.
 Confesso que demorei um pouco para terminar o livro, mas porque parei de lê-lo em diversos momentos. Comecei a ler no carnaval e demorei quase dois meses para retomar a leitura. Achei a narrativa entre os contos muito bem construída, nota-se o crescimento do menino e a evolução dos conflitos e questões retratadas.
 De pequenos conflitos com as normas sociais como o uso de roupas, a falar palavrões, o conhecimento do corpo, seu próprio e dos outros, sentimentos de amor entre familiares e amigos, até a crítica velada a classe média ascendente da época, são temas tratados com delicadeza e alegria.
 Este livro estreia também minha vontade de destacar no texto partes que considero importante. Terei em breve algumas citações do seu texto sobre a escola e professores.


segunda-feira, 11 de abril de 2016

Retiro

 Com certeza a semana que passou eu me dediquei a mim mesmo. Mais em alguns pontos do que em outros que queria, mas tentando encontrar um equilíbrio entre as diversas atividades que gostaria de fazer e as que tenho entre trabalho, faculdade, esportes e lazer.
 Em um primeiro dia após passar a tarde no parque, corri para a reunião pedagógica e depois literalmente até o ponto de encontro do grupo de corrida do trabalho. Foi meu primeiro dia, e posso adiantar que gostei bastante, terei um apoio de um profissional do esporte para correr mais e melhor.
 No dia seguinte, repeti a dose e no lugar da reunião me encaminhei para a nova academia do trabalho também. Ou seja, consegui cumprir atividades do âmbito do trabalho, esportes e lazer. O problema então apareceu alguns dias depois quando M., a amiga, me mandou uma mensagem: "acabei de postar as atividades da faculdade, e você?".
 Estava me arrumando na casa de outra amiga para ir ao show da Clarice Falcão (posso escrever sobre isto depois, recomendo muito e iria de novo facilmente). Entrei em desespero, afinal aquele seria o último dia do prazo estendido para entregar aquela tarefa.
 Passei o sábado inteiro, das 10h, horário que levantei da cama até as 21h horário que meu corpinho pediu arrego e cama, lendo, escrevendo, relendo, reescrevendo e mandando e-mails para as professoras pedindo perdão e uma nova chance para entregar os trabalhos que estava realizando naquele momento e já já iria entregar.
 Iria a uma peça sobre gênero com um amigo que não vejo há mais de 5 anos, mas devido a urgência acadêmica e prazos extrapolados, perdi esta tripla oportunidade, de assistir a uma peça, conhecer um pouco mais sobre o universo trans e rever um amigo distante.
 Fiquei sentido com a situação de perda, ainda mais que depois pensei que ela foi causado por mim mesmo. Deveria ter trabalhado com minhas responsabilidades antes para depois me permitir o ócio ou o lazer, pois uma hora ou outra as cobranças chegam, de fora ou de dentro...

quinta-feira, 7 de abril de 2016

#livros - "O paraíso é o lugar que me encontro com você"

 Reconhecer-se é um processo diário e que deve levar a vida toda. Por um motivo simples, conhecer-se como humano requer conhecer os outros que nos cercam, os iguais, os parecidos e os diferentes. Delinear-se então é raciocinar sobre as lógicas de construção do mundo histórico-social.
 O paraíso então é uma construção a dois. Não é única, nem limitada. Mas necessariamente dependente da relações que se estabelece com a vida corporal. Mais uma vez penso que amor não se dá somente daquela forma utópica para com uma alma gêmea e sim para todos aqueles com os quais as relações são requeridas, recíprocas e dialógicas.
 Amor é mais que um encontro, requer presença, atenção, dedicação, trabalho árduo de conhecimento e auto-conhecimento. Assim como o paraíso construído para cada lado que corporifica as ideias e desejos e na contramão une e faz-se vontade de ficar perto.
 Desta maneira, cada relação permite outras e até as cria. Pode-se estabelecer paraísos entre casais, famílias, amigos, etc. Amar requer sorte e por seguinte empenho e respeito. Respeitar é reconhecer os outros e nossos próprios erros. Ler é uma forma de aprender sobre si e os outros. A diversidade existe e não pode ser ignorada, pois corre-se o risco de cair em erro de não reconhecimento do outro e achar-se suficiente.

"Heaven is a place on earth with you".
Ah, não posso esquecer que esta é minha resenha do livro: "O paraíso são os outros" com texto de Valter Hugo Mãe e obras de Nino Cais da então extinta editora Cosac Naify.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Uma tarde sozinho no meio da multidão

Saindo do trabalho, fui direto para o parque. Estava um tanto quanto incomodado com minhas vestes, shortinhos e tênis de corrida e camiseta polo. Ia colocar o chinelo, que estava no carro no meio do caminho, mas esqueci o alarme dentro do armário.
 Não sei o porque de ficar com muita vontade de ir ao banheiro logo quando me afasto de um e não tenho outro a disposição. Tive que procurar um quando cheguei no banheiro, mas meu próprio (*) ficou com medo de utilizar aquele sujo ambiente.
 Me acomodei em uma das colunas da serralheria a sombra da árvore gigante com vários "braços" e logo tirei aquele tênis. Comecei a ler e passei um tempo ali, terminei um livro relativamente pequeno que estava na metade, passei para o livro de matemática da formação de professores e fiz algumas anotações.
 Decidi que era hora de dar uma volta. O sol que andava devagar já desviava da copa da árvore e me iluminava todo. Caminhando percebi que vários casais construíam seus paraísos ali mesmo em público. Muitos casais homossexuais povoam o Ibirapuera, até cruzei por três trans fotografando a beira do lago.
 Acredito que a diversidade está aí para que todos vejam, basta cada um reconhecer os outros e se permitirem conhecer um pouco mais. Refleti sobre onde se encontrava meu paraíso nesta relação que estabeleci comigo mesmo rodeado por uma multidão com a qual não criei nenhum laço.


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