quinta-feira, 31 de março de 2016

Me perdi

 
Qual o caminho a seguir?
Ele não quer mais voltar para a casa de seus pais após seus longos dias de trabalho, estudo, esportes, encontros e desencontros, bebidas e comidas. Sai de casa às 5h30 e quando se aproxima das 22h00 parece que o tempo voa e urge a necessidade de refazer a peregrinação diária até seu lar e quando lá está parece que o mesmo para e não chega nunca a hora de dormir e se esconder em seu quarto.
 Facilmente é comparado a um destes jovens Peter Pan que resolveu esticar a estadia na casa de seus pais, talvez por nunca ter considerado morar sozinho, não ter condições econômicas ou para aproveitar as comodidades até então oferecidas. Talvez até se considere um estorvo.
 Se viu mais uma vez perdido, quando ao sair do cinema em plena terça feira às 16h45, no intervalo, regado a muitas livrarias e conversa com livreiros sobre livros infantis e juvenis, com direito a considerações sobre a editora bafônica que acabou de fechar as portas, entre uma jornada de trabalho e uma reunião pedagógica, não soube para onde ir. Ficou cerca de 20 minutos a pensar naquela porta do cine, deixando que os seus pensamentos o levassem sem sair dali.
 Na verdade sabia que o tempo passaria e o mais óbvio era voltar para o trabalho se preparar para sua reunião. Mas ficou um cinco minutos, pensando em qual caminho tomar, não o do trabalho, pois é muito bom com caminhos, atalhos e direções, mas o que precisava ser feito com a sua própria vida.
 Este sentimento não nasceu ali, e sim do desconforto que já sentia ao se "esconder" no seu quarto desde a adolescência que sempre mudara na tentativa de fazê-lo mais seu. De não sentir-se mais pertencente aquela rotina, aqueles cômodos, aqueles móveis. Sente-se que não está preparado para o mundo sem ter se conhecido e permitido dentro de sua própria casa.
 Nunca antes houve vontade de morar sozinho, talvez esta não seja a ideia do momento também, quem sabe dividir um local com algum amigx. Também não foi por falta de tentativa, estava noivo até ano passado e este seria o mês da mudança para a casa nova se não tivesse levado o famoso pé na bunda do sujeito.
 A falta de ideias e o surgimento de várias reflexões sobre as possibilidades me fazem acreditar que este meu lado esteja me mostrando claramente uma busca por mudanças mais profundas e interiores em mim mesmo. Talvez tenha chegado o tempo de sair da casa dos meus pais e tomar meus próprios rumos no que tange ao meu espaço, meu território, minhas escolhas, minhas responsabilidades, meus medos, meus desejos e minha autonomia.
 Talvez aqueles vinte minutos serviram para sistematizar uma vontade, uma necessidade e uma razão para que mais um pedaço do sujeito seja construído e assim consiga desvendar mais um de seus caminhos no conhecimento interno neste mundo vasto chamado interior.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Páscoa

 
A.

 A Volta da viagem do feriado é sempre repleta de sentimentos e pensamentos dos mais diversos. É o segundo feriado seguido que volto do mesmo lugar, com algumas das mesmas companhias. Um sítio do interior de Minas pode além de render muita diversão, fotos fofas e memórias, algumas reflexões e a construção de uma amizade (conheça mais como nos conhecemos aqui).
 Estar junto em situações não obrigatórias como o trabalho, escola, faculdade, entre outras instituições requer muita vontade dos sujeitos para que se construa uma relação de troca, diálogo, reconhecimento, respeito, etc. Minhas amizades são "organizadas" em círculos em volta destas instituições: meus amigos da escola, meus amigos da faculdade, meus amigos do trabalho, e uma nova categoria de amigos de ex lugares que frequentava.
 Estar em um sítio sem qualquer sinal de internet e com muito tempo dedicado ao ócio, com aquela rotina que inclui comer, conversar, beber, conversar, beber, conversar, comer, conversar, beber e dormir, me fez pensar que hoje construí uma das mais bem-quistas amizades que eu já tive em vida, frequentar seu ambiente familiar, conhecer vários de seus amigos, reconhecer nossas diferenças e respeitar-nos.
 Mas esta viagem também não foi somente para pensar sobre amizades, li uns quatro livros pelo menos alguns trechos: (Lampião e lanceloti, Didática da matemática, Nú de botas e o Paraíso são os outros). Pude pensar também sobre minha última paixão que por acaso aconteceu naquele lugar. Ter o local vazio e disponível para poder relembrar o que aconteceu trás a tona diversas sensações no corpo.
 Ter milhões de pensamentos em uma situação na qual possa se dedicar a eles, faz com que se crie propriedade da existência, afinal, em certa medida, escolhemos estar onde, com quem e desempenhando o que estamos fazendo, construindo nossos eu subjetivos dentro desta massa sócia que estamos inseridos. Estou grato por poder viver o que vivo e poder a cada dia ir modificando os poucos o que acredito ser o correto e me ajuntando a quem confio.


quinta-feira, 24 de março de 2016

Será que eu cresci?

ESCREVI O TEXTO ABAIXO EM UMA OFICINA QUE REALIZEI ANO PASSADO NO CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO DO SESC-SP EM PARCERIA COM O MUSEU DA PESSOA. Daqueles encontros surgiu uma vontade enorme de me colocar como sujeito no mundo, escrever sobre ele. 

Segue o link do museu caso alguém se interesse em saber mais do projeto. e o resultado:


Será que eu cresci?


Será que eu cresci? Outro dia rumei ao vestiário como faço todas as segundas e quartas, comecei a me trocar para mais uma aula de natação. Estava sozinho naquele ambiente colocando a sunga, a touca e os óculos e de supetão a porta foi empurrada e entraram as crianças após sua aula de esporte.

- Quantos anos você tem, Ronaldo? – Escuto Luiz, um menino de 7 anos que, por pouca desenvoltura em se trocar continuava no vestiário.

- 89! – Respondi sem pensar. Como de hábito tinha inventado uma idade...

Poucas semanas depois deste episódio, Denis me contava que faria seu aniversário junto com Felipe e a pergunta então veio de mim:

- Quantos anos vocês têm? - 7,  logo respondeu Felipe, completando - vou fazer 8 e o Denis tem 8 e vai fazer 9.

- Legal, eu respondi. Eu também vou fazer 9!

Os dois meninos fizeram uma cara de espanto, mas ninguém comentou mais nada e um deles me mostrou o livro sobre magos e feitiçaria que estava lendo, daí nos perdemos por outros rumos. Diferentemente de Luiz, que após me observar um pouco e com uma cara de quem refletia sobre a resposta tomada, conclui:

- Nossa, nunca tinha pensado que você já era um adulto. A afirmação de Luiz me abalou de uma forma indiscutível e a indiferença de Felipe e Denis me sacudiram novamente. Me botei a (re)pensar...Quando foi que isto aconteceu realmente?




segunda-feira, 21 de março de 2016

Sem inquietações

 Percebi que se algo me inquieta as palavras são postas com mais facilidade no meio escrito. Neste momento estou vivendo uma paz interior pouco vivenciada nos últimos tempos.
 Depois de ter feito várias coisas este fim de semana como ter aproveitado minhas amigas no bar, comparecer a passeata contra o golpe, ir a uma festa da FFLCH, tudo regado a muito álcool e altas reflexões sobre feminismo, nossa atuação como seres sócio-histórico neste mundo, ainda dormi fora de casa, na cama de uma amiga que estava no interior, enquanto a "dona" da casa, G.,  estava em sua cama no quarto ao lado. 
 Não tenho muito tato quando o assunto é ir embora da casa alheia, tomei café, ajudei em pequenas coisas e sugeri para irmos comer pastel na feira. Fomos ainda ao shopping comprei uma calça, dois números menores do que estava acostumado no final do ano passado.
 No meio do role, "somos donos de casa", comprei dois potes de glitter gigantes, agora só falra coragem e disposição pra colá-los na barba, depois peguei meu carro que estava no primeiro bar do dia anterior e voltamos pra G. Montamos sua sapateira nova, tomei banho e comemos uma pizza de camarão inteira sozinhos. Ainda comparecemos a um bar para reencontrar uns amigos.
 Estava completando 48 horas sem aparecer em casa, mas voltei. Acordei e ouvi minha mãe reclamar da minha falta de consideração em avisar se volto ou não. Depois fui na feira comprar legumes, verduras e frutas. Não sei o porque mas capotei depois do almoço. Ao levantar fiquei com vontade de ir ao cinema.
 Já que estava devendo uma saída para um recém conhecido da lojinha* então decidi marcar com ele. Assistimos "Estamos vivos" um filme brasileiro digno de público. Depois ficamos conversando por quase duas horas pela região da Augusta. Ele tem boas histórias para contar, fiquei com vontades, mas somente conversamos.
 Até que gosto quando acontece assim, me parece menos impulso e mais desejo se construindo em prol de algo melhor. Cá estou tentando escrever algo para postar na minha segunda e pensando nele, talvez algo comece a me inquietar então...


sexta-feira, 18 de março de 2016

#encontros - Nany

 Nosso primeiro encontro se deu nos mesmos moldes que em loira 1. Meu primeiro dia de aula do temido Ensino Médio, em uma escola totalmente nova, desconhecida e longe de casa. Cheguei atrasado pela greve de ônibus, o que me dificultou muito o trajeto Capão-Pinheiros às 6h00 da manhã e fui um dos últimos a adentrar a classe.
 Após uma das trocas de aula, estas que incluíam aquelas apresentações de quem é vocês, o que costuma fazer, de onde vem, o que pretende do seu futuro, ela se aproximou e foi logo perguntando: 
 "Você estudou com a fulana?", ao que eu respondi:
 "Sim". -  Elas faziam teatro juntas lá em Taboãoland. 
 Ela era alta para as meninas, tinha um cabelo enorme, piercings e uma mania de falar "pegou" em várias frases. Se apresentava sempre com uma frase padrão: "Moro no parque Pinheiros no Taboão, mas é bem na divisa do Campo Limpo, quase São Paulo."
 Na época eu não era muito bem localizado e nem sabia onde era este tal de Taboão da Serra onde metade da minha nova sala morava, mas sabia que Campo Limpo era um bairro perto de casa então deduzi que morávamos relativamente perto. Encontrei neste momento também uma pessoa que conhece a cidade de São Paulo da mesma forma que eu.
 Levamos a primeira bronca dos alunos e do ano juntos. Dois tagarelas que aproveitavam os momentos sem professor para ficar conversando em pé com outros alunos, eis que chegou nossa professora de Biologia e nos viu lá no fundo falando e falando. Mandou cada um de nós sentar em um canto da sala. (este é um ponto que não tenho muita clareza... não sei se foi neste momento que passei a conviver com a Loira 1 ou se já o fazia antes).
 Percebi que ela seria uma ótima companhia, e desde então passamos muitos momentos juntos. Há treze anos andamos por aí de vez em quando, saímos pra beber, cozinhar, ver o por do sol, comer, tomar um bronze, já perdemos amizades juntos, fizemos vários outros círculos de amizade, andamos entre eles e vimos amigos que continuam sendo amigos partirem para longe.

Loira 1, eu e Nany... 13 anos depois de nosso primeiro encontro.

quarta-feira, 16 de março de 2016

- E aí Ronaldo, você é gay?

 - Sim. Claro. Sempre fui. - essa resposta vem a minha cabeça automaticamente, de mãos dadas com outros discursos como: "qual o seu interesse em saber sobre meus desejos sexuais?", "em qual momento minha sexualidade muda sua vida?", etc...
 Mas quase nunca discorro tudo isto quando estas perguntas chegam galopando nos momentos que eu menos espero. Parece-me que sou abatido por uma confusão mental gigante e muitas outras questões me vem a cabeça e normalmente eu devolvo: "Amor, sou seu amigo para falar sobre tudo da minha vida?"...
 Esta semana passei por três momentos de tensão (homofóbicos ou em determinado sentido nesta linha), assim como estes questionamentos, que são recheados de preconceito e discriminação que acredito eu são aprendidos e construídos pela própria sociedade.
 1 - Fui a um aniversário em uma das maiores baladas gays de uma colega de trabalho (mulher, cisgênero, e hétero). Chegando lá, me senti alvo de vários comentário como: "se joga", "olha quantos homens na pista, faz a festa", "mostra que você sabe mexer", "se não fosse gay eu pegaria fácil", "eu também", "eu também²", "eu também³"...
 Desde quando eu preciso ir a uma balada para ter contato com outros rapazes? E desde quando eu preciso saber que as mulheres com as quais eu convivo teriam uma atração qualquer por mim? Por que eu preciso rebolar, dançar igual a Beyonce, etc. para demonstrar minha sexualidade?
 2 - Estava na sala dos professores cercado de colegas de trabalho quando ouço uma das professoras começar a falar como ela aprendeu a reconhecer um gay no seu carnaval. Segundo ela os gays utilizam bermudas acima do joelho enquanto os héteros sempre as usam abaixo. Fiquei ouvindo aquilo só sem comentar nada.
 Desde quando o comprimento das roupas de alguém é determinando nos seus desejos sexuais? Fiquei engasgado, mas não disse a ela que não tenho bermudas acima do joelho, mas sou gay também, assim como poderia ter falado mal da sua roupa feia e fora de época.
 3 - Mas o pior aconteceu com uma aluna. Com todos seus 10 anos de vida ela começou a questionar se eu tenho namorado e o porquê de não ter uma. Até aí eu disse que no atual momento de trabalho, dois estágios obrigatório, corrida, academia, faculdade e todas as outras coisas normais da vida não teria tempo nem vontade de começar um relacionamento no momento. Afinal ela não precisa saber que eu até tenho esta vontade, só me falta o namorado, mas compreendi que seria uma explicação plausível.
 Lecionei as aulas daquele dia e quando desço para o momento de descanço conhecido como recreio, a professora que trabalha comigo nesta sala e chama de canto e me conta o que acabou de acontecer. Sabe a aluna das perguntas sobre namorada? Então questionou a esta professora sobre a possibilidade de eu ser gay. E ainda argumentou: ele não namora, corre e faz academia. Acabei dando risada do seu conceito de homosexual.
 Ainda bem que trabalho diretamente com colegas de trabalho ótimas e esta situação foi revertida até hoje sem grandes rebuliços na sala e na escola. Mas qual esta necessidade de escancarar meus desejos sexuais aos quatro cantos da Terra? Por que eu não posso simplesmente viver em situações cotidianas sem ter que mostrar que gosto de outros homens? Como se opera esta hierarquização de sexo, gêneros e desejos, que se formam desde a mais tenra idade sujeitos preconceituosos e discriminadores?



domingo, 13 de março de 2016

Construção do nosso corpo...

"Eu pensei que era capaz
De te inventar e não voltar atrás
Tanto faz, quem vai dizer
Quem não era diferente há 10 minutos atrás"


Thiago Pethit em "Moon"


 "- Vamos fazer uma competição entre meninos e meninas.
 - Com quem será? Com quem será? Com quem será que Joãozinho vai casar? Vai depender de Maria vai querer. Ela aceitou. Tiveram dois filhos e depois se separou.
 - Os super heróis são para meninos e as barbies para meninas.
 - Azul é para menino e rosa para as meninas.
 - Que letra bonita, parece de menina.
 - Que comportamento feio parece um menino."

 Após ouvir incessantemente estas e outras frases além de assistir a situações diversas que divide o mundo entre dois distintos sexos, tomei uma decisão sobre minha vida acadêmica, vou me dedicar aos estudos sobre as relações de gênero em escolas de Fundamental 1.
 Por enquanto estou me instrumentalizando com palestras e cursos sobre feminismos (negro, interseccional), transgêneros, transexuais e travestis, teoria queer, etc.


sábado, 12 de março de 2016

#livro4 - Bear 2

 Este quadrinho merece ser lido por todos de pequenos até os da melhor idade. Acredito que a Bianca Pinheiro conseguiu ao seu modo traduzir em linguagem o que é a amizade e outras relações interpessoais.
 Continuação de Bear que li uns dois anos atrás (ambos os volumes eu comprei na Festa de Livros da USP), a história de Raven uma garotinha que "perdeu" seus pais e Dimas um urso que hibernava tranquilamente já percorreu vários cenários.
 Com muitas pitadas de humor, desventuras, emoção, maldições, etc. vamos acompanhando esta saga em busca dos pais da Raven. A história continuará em outro livro e podemos acompanhar seu desenrolar na página virtual da autora que posta antes sua história.
 No final do livro ainda encontramos uma tutorial de como se faz uma história em quadrinho, ou mais especificamente como a autora faz suas páginas desenrolarem esta bela história.

quinta-feira, 10 de março de 2016

#encontros - LH

 Sobre meu primeiro namorado.

 Nos conhecemos no Orkut, via mensagem foi nosso primeiro contato e logo depois de telefones trocados, ligações, fotos, etc. resolvemos marcar um cineminha para nos ver pessoalmente. Para mim era tudo novidade, tinha ficado com apenas um outro rapaz e não tinha rolado todo o papo e tals.
 Quando cheguei a bilheteria do cinema fiquei com aquele frio na barriga, aquela sensação de que talvez levaria um bolo e não nos encontraríamos, ou talvez ele tivesse ido, me visto e fugido por qualquer motivo.
 Mas o atraso durou apenas uns dez minutos e quando meus olhos pousaram nele, gostei e muito do que vi. Alto, tipo uns um metro e quase noventa, cabelos claro, piercing na sombrancelha, um gato, logo pensei que o momento seria muito bom.
 O filme que não foi, ele escolheu Jogos mortais, e como não gosto de filmes de terror tive que segurar na mão dele do começo ao fim da sessão, e olha que mão grande... 
 Não me lembro se rolou um beijo neste dia, mas nos despedimos no shopping com uma vontade de ficar por muito mais tempo juntos. Eu tinha 17 anos e namoramos por três anos, após muitos momentos bons e outros nem tantos.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Eu me conheço o suficiente?

Após muitas reflexões acerca da minha própria pessoa como: por que fiz isto ou aquilo, por que reagi assim ou assado, comecei a chegar a conclusão que ainda me resta muito para que eu entenda o que passa dentro de mim por completo. Acho que não da pra ser onisciente mesmo em matéria de "nós mesmos".
Sei de muitas coisas hoje, como por exemplo, prefiro me apaixonar do que ficar me esquivando, mesmo que isto me renda um coração quebrado depois do término ou mesmo antes da possibilidade da existência de alguma relação, que quero ser professor e não bibliotecário daqui pra frente, etc.
Também sei que sou capaz de fazer muitas coisas sozinho, sou praticamente independente (moro com pais pela escolha de não morar literalmente sozinho), sou responsável, etc. mas prefiro estar acompanhado e isto inclui a tal busca por um cara que queira dividir não só momentos mas um caminho do meu lado.
De 2012 à 2013 passei quase dois anos solteiro, em partes por escolher não me relacionar com ninguém por diversos motivos, medo de sofrer, não ter alguém legal no momento, vontade de curtir a vida de solteiro, etc.
Hoje eu quero construir uma relação que ao mesmo possibilite aproveitar os amigos "sozinho", mas ter aquele alguém para dividir momentos juntos, alguém com a qual se possa conversar no final do dia, fazer coisas melosas e agir como namorado mesmo.
Em partes, estar solteiro, ainda é uma escolha pela autoconhecimento, por outro lado é a cautela de querer conhecer o cara melhor antes de brotar um relacionamento capenga ou prematuro, mas está me incomodando esta falta de uma paixão correspondida, isto é um fato.

sábado, 5 de março de 2016

#livro3 - Gigantes de Pedro Neschling

 De início este seria um ótimo livro para dar para uma amiga que assim como eu está beirando os 30 anos, a mesma que apresentei aqui no (LOIRA 1). Me encantei com o enredo que se inicia na formatura de ensino médio e acompanha seus cinco personagens principais até meados de seus trinta anos.
 Duda, Fernando, Zidani, Camila e Lipe são essências do ser brasileiro contemporâneo, cada um cheio de esperança adolescente, sonhos, planos, medos, dúvidas e contratempos. Cada um bem diferente do outro, mas ao mesmo tempo em tramas os unem, não necessariamente fisicamente.
 Destaque especial aqui para Lipe, melhor amigo de Duda. Personagem gay da trama que sem muitas afetações nos trás a tona a existência de homossexuais no dia-a-dia como qualquer outro ser humanamente humano. Amigo, trabalhador, pobre, sem todo o estereotipado glamour e purpurina que costumam acompanhar personagens homossexuais.
 Desventuras da formatura do ensino médio, ano sabático, escolha de qual curso superior cursar, qual profissão escolher, onde morar, namorar ou não, casar, ter filhos, levar pé na bunda, trair, ser traído, sair da casa dos pais, se sustentar, conhecer outras pessoas são alguns tempos presentes neste livro.
 Recomendadíssimo, incrivelmente o li em um único dia. Na verdade dois se considerar que comecei a ler às 10h na beira da piscina e terminei às 1h30 na cama, mesmo assim 230 páginas em menos de 24 horas. Texto leve e magnético.
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